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Angola

Discurso Pronunciado por Sua Excelência José Eduardo dos Santos, Presidente da República de Angola, na Cerimónia de Apresentação de Cumprimentos pelo Corpo Diplomático (Luanda, 10 de Janeiro de 2013)

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EXCELENTISSIMOS SENHOR DECANO DO CORPO DIPLOMÁTICO,
EXCELENTISSIMOS SENHORES EMBAIXADORES E CHEFES DE MISSÃO,
 MINHAS SENHORAS E MEUS SENHORES.
Eis – nos no limiar de um Novo Ano, que espero seja portador de muitos êxitos na vida pessoal e profissional de todos os presentes.
Agradeço os votos amáveis e as palavras encorajadoras do Senhor Decano, proferidas em seu nome e nome de todo o Corpo Diplomático acreditado em Angola.
A constatação de que Angola está a progredir e a resolver com sagacidade os seus problemas transmite para o mundo a imagem real da evolução do nosso país.


É importante que todos os membros do Corpo Diplomático continuem a realçar esta ideia, pois desse modo ajudarão a corrigir a visão distorcida e alguns preconceitos de certos sectores da Comunidade Internacional, que continuam a não acreditar na renovação da África.
Em pouco mais de dez anos de paz, fomos capazes de promover a reconciliação nacional e de restituir a esperança de uma vida melhor a todos os angolanos.
É com o sentimento de dever cumprido que voltamos a pôr à disposição de todo o nosso povo infra-estruturas básicas modernas para viabilizar o desenvolvimento económico e social do País.
O Estado, e em especial as suas instituições democráticas, estão a consolidar-se alicerçados nos princípios do Direito e da Soberania Popular, através dos quais se promove a convivência pacífica e a participação cívica na resolução dos problemas nacionais, mesmo num continente como o nosso, onde os conflitos e as crises políticas começam a ressurgir.
Nunca nos deixamos influenciar pelo “afro - pessimismo” que certa elite propagou no passado recente.

Acreditámos sempre na mudança e na renovação de África e na forma de conceber e fazer política neste continente.
Não é por mero acaso que Angola se encontra num processo de efectiva democratização que permite a paz, a estabilidade, o crescimento económico e o progresso social.
Somos parte deste mundo, que é caracterizado por mudanças globais e pela alteração progressiva e positiva da ordem política e económica internacional.
Com o advento das potências económicas emergentes, o ambiente internacional é cada vez mais multipolar e os países subdesenvolvidos têm outras oportunidades para encontrar vias de crescimento e de progresso.
Esta é uma circunstância histórica que a África não pode deixar de aproveitar.
Por isso condenamos energicamente o retorno à violência armada e às rebeliões como via para a resolução de contradições internas ou para a conquista do poder de Estado.
Governos legitimados pela escolha livre dos cidadãos nas urnas não devem ser depostos por forças rebeldes ou por processos anti-democráticos.
A África tem hoje novos cortejos de refugiados em condições sub-humanas, e isso é inaceitável.
Por essa razão, a situação prevalecente no leste da República Democrática do Congo, no Mali, na República Centro Africana e na Guiné-Bissau representa um retrocesso no processo de democratização do nosso continente.

SENHOR DECANO
SENHORES EMBAIXADORES
Mas não é só o continente africano que é palco desses acontecimentos perversos.
Agrava-se também dia-a-dia a situação no Médio Oriente. É imperativo que sejam abertas as portas do diálogo e da concertação política entre os principais actores e que se procurem os entendimentos internos e internacionais conducentes a preservação da paz e da segurança internacional.
É necessário consagrar-se e realizar-se o princípio da existência e reconhecimento dos dois Estados soberanos de Israel e da Palestina.
Diz-se que “enquanto há vida há esperança”.
Por isso estou convencido de que muitas crises serão superadas ou atenuadas.
Acredito também que a actual tendência para a crescente islamização do Estado e que as causas da crise económica e financeira da Europa serão melhor controladas ou debeladas no ano que agora começa e nos seguintes.
É um mundo cada vez mais interdependente que a humanidade quer, um mundo equilibrado em que a concertação, a compatibilização de interesses e busca de consensos sejam a motivação e o propósito dos líderes que tratam das relações internacionais.
Convido assim todos os presentes para trabalharmos em conjunto por este mundo de paz, segurança e entendimento entre nações.

Desejo a todos
FELIZ ANO NOVO